Uma parada na Rocinha
Enviado em 19 de Setembro de 2008
Publicado por Seu Barreto | Enviar por e-mail
| Hits para esta publicação: 226
Por conta do trabalho, conheci algumas comunidades famosas pela violência e tráfico aqui no Rio. Apesar de passar pela entrada da comunidade quase todos os dias, nunca tinha entrado na Rocinha. Fui lá fotografar para o jornal de um grande banco. Sim, a Rocinha tem três agências. Caixa, Itaú e Bradesco estão na favela. Não podia ser diferente. Com mais de 130 mil moradores e cerca 2.700 estabelecimentos comerciais não ia ter colchão suficiente pra guardar tanto dinheiro.
Diferente do que se pode imaginar, o clima é tranquilo até mesmo para um estranho que está portando uma máquina fotográfica. Tudo bem, hoje era um dia especial. O exército estava ocupando a favela. Em cada uma das esquinas que passei tinha no mínimo três soldados armados. Pergunto a uns camaradas se a presença dos militares fazia muita diferença. Um se adiantou dizendo que diminui a bagunça. Enquanto um outro aponta pra câmera e dispara: “isso aí assusta muito mais”. Não, amigo quem se assusta sou eu com essa informação. Já imaginava…
Até mais interessante que a conversa é observar pequenos detalhes do movimento local. Uma mulher com pouca roupa passa e é festejada, cortejada, mesmo não sendo lá muito atraente. Melhor dizendo, era feia mesmo. Logo depois chega uma morena daquelas, rainha do baile funk, destaque da Acadêmicos da Rocinha. Tanto pode acabar decorando uma cozinha na Alemanha ou estrelando numa novela da Globo. Para essa, ninguém olhou, além do bestão aqui.
A resposta é óbvia e tava do outro lado da rua: o acompanhante da mulata-problema. Um magrelo de olho vidrado e com cara de “esqueci meu fuzil em casa”. Só basta isso para todos virarem verdadeiros cavalheiros. Só queria saber se a mulher do milico, do padeiro, do pintor e principalmente do fotógrafo, seriam tratadas com a mesma discrição. Será?

esse título sugere várias “paradas”. rsrs