“Estupra, mas não mata”, meu bom José?
Enviado em 9 de Março de 2009
Publicado por Seu Barreto | Enviar por e-mail
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Os argumentos de Dom José Cardoso e excomungação dos médicos e da mãe da menina de 9 anos violentada pelo padastro em Pernambuco, me fazem lembrar a famosa “frase-sermão” de Paulo Maluf: “Estupra, mas não mata”. Como todos devem saber, o Arcerbispo de Recife e Olinda acredita que estuprar a criança foi um erro menor. Para ele, mais grave mesmo foi interromper a gestação. Mesmo que o aborto, autorizado por lei, representasse um alto risco de morte da menina.
Do tempo que atuei no jornalismo pernambucano, graças a Deus (?!) tive poucos contatos com o arcebispo. Sempre carrancudo e com poucos sorrisos, lembro da dificuldade de arrancar dele uma boa imagem, uma simples fotinha que pudesse transmitir alegria, leveza, paz ou simpatia. Lembrei também de um episódio que contei para poucos, um daqueles casos que se pudéssemos apagaríamos da memória para sempre.
Dom Hélder - Há uns 11 anos o jornal que trabalhei publicou uma grande matéria comparando o comando de Dom José na Arquidiocese de Recife e Olinda com as ações do seu antecessor, Dom Hélder Câmara, o bispo defensor dos direitos e humanos que pregava uma igreja simples voltada para os pobres e a não-violência.
Milagre? - A matéria também trazia os perfis dos dois religiosos. Não precisa ser um grande entendedor para saber nessa comparação, Dom Hélder, único brasileiro indicado quatro vezes ao Nobel da paz, deixaria qualquer humano em situação nada confortável. Isso é normal. Mas o resultado é que a matéria não foi bem recebida pelas autoridades religiosas locais. Como consequência, forças das trevas da oligarquia política e empresarial de Pernambuco pressionaram e pediram a cabeça da repórter que assinou a matéria. Por um milagre o emprego da jornalista foi mantido. Em compensação, o jornal usou suas páginas para pedir desculpas e tentar amenizar a situação admitindo um erro que não cometeu.
A Imagem - Não achando suficiente, na semana seguinte pautaram este pecador aqui para arrancar uma bela foto do Arcebispo durante a missa de Nossa Sra. da Conceição, em Casa Amarela. A intenção era dar uma primeira página de domingo, dia mais nobre do jornal, uma bela foto tipo: “Dom José, o bispo do povo”. É claro que falhei na missão. Era o povo de um lado, o Bispo do outro e eu no meio tentando cumprir uma ordem forçando a barra.
A fim do perdão dos pecados? - Mesmo assim a matéria e a “foto-exaltação” foram publicadas no Dominicus (domingo em Latim que significa “dia do Senhor”). Com certeza essa primeira página foi guardada, emoldurada, pendurada e reverenciada por milhares de fiéis. Deve inclusive constar nos arquivos, no “clipping” do Dom José. Errei feio e me envergonho de ter participado desse episódio. Me arrependo profundamente mas não espero e até desprezo o perdão da Igreja que o esse José imagina. Aliás, para eles meu erro foi participar dessa mentira ou publicamente reconhecer esse erro?
gilvan, parabéns pela matéria,
concordo com vc plenamente.
Gilvan, com essa confissão é capaz de tu ser excomungado…
kkkkk… issso mesmo, Arnaldo. Ainda bem que por aqui não passa nenhum santo. rsrsrs. abs